Perguntas e respostas sobre temas do livro “O líder a e gestão espiritual”.

 

Mas se você, caro leitor, quiser entender como a espiritualidade foi definida e o que é produzir Bens espirituais, deixaremos a surpresa para a leitura do livro. Não estragaremos esse “prazer” nem a novidade.

 
  • Qual a relação entre Gestão Espiritual, liderança e evolução?

Seres humanos evoluídos estarão mais qualificados para exercerem uma liderança diferenciada, que compreenda o humano em suas várias manifestações, desenvolvendo competências múltiplas para alcançarem os resultados traçados, ao mesmo tempo em  que o grupo evolui como um todo e não apenas individualmente.

Por meio da Gestão Espiritual, as pessoas reconhecerão nos contrastes, diferenças e conflitos oportunidades para novas perspectivas de identificar e solucionar problemas, fertilizando o ambiente para a evolução criadora nas soluções estratégicas.
Isto ocasionará uma maior difusão do poder, minimizando tendências autoritárias e excludentes que inibam a participação e o verdadeiro espírito de equipe.

 
  • Qual a relação entre Gestão Espiritual e produção de bens materiais e bens espirituais, ambos essenciais para o sucesso da organização?

A Gestão Espiritual permitirá que se desenvolvam competências para produzir não apenas bens materiais e de serviços, mas também bens espirituais, essenciais para a positividade do clima organizacional, o bom atendimento ao cliente e a evolução das pessoas.
Ao colocarmos lado a lado bens materiais e bens espirituais, podemos compreender as seguintes distinções:

  1. De um lado, pela óptica exclusiva do trabalho de produzir bens materiais, encontramos racionalidade operacional e competências técnicas, focando resultados mensuráveis, que lidam com cálculos, processos e números.
  2. De outro, produzindo também bens espirituais, a ênfase desloca-se para a pessoa humana, que não se expressa somente em modelos quantitativos mensuráveis, mas também numa linguagem fora das determinações da lógica produtiva, enquanto corpo humano carente de afeto e significações emotivas que lhe dêem prazer em existir e estar com o outro.
  3. Portanto, por um lado, os aspectos quantitativos, que podem ser auferidos por instrumentos de medição num tubo de ensaio, e, por outro, os qualitativos, que apenas a pessoa sente, quando é tocada pelo afeto que lhe trás colhida, segurança, vontade de viver e sentido no trabalho que realiza.

Ou seja: de um lado, a produção material e, de outro, a produção espiritual -  bens materiais e bens espirituais.
Ambos, num certo sentido, relacionados com a beleza. Mas qual beleza toca mais o outro, faz a vida prenha de sentido e irradia-a ao redor, construindo felicidade?
O trabalho de produzir bens espirituais constrói pessoas mais belas, para quem os produz e a quem eles tocam. 
Os bens espirituais produzem significados que melhoram as pessoas e seu existir no mundo, o que as leva a injetarem vida no processo produtivo, por meio da lógica da qualidade das relações, e não apenas insumos numa máquina que funciona por si só por estar ligada à tomada.
A arte de produzir bens espirituais são sementes transgênicas poderosas que transformam aqueles que comem do seu fruto, criando uma nova linhagem de “humanos”.

 
  • A Gestão Espiritual agregará diferenciais competitivos para a organização?

Acreditamos que, pela Gestão Espiritual, a empresa desenvolverá os seguintes diferenciais competitivos para vencer no mundo globalizado:

  1. Construirá consenso com foco nas diferenças, que são a grande demanda do mundo e das pessoas. Só haverá personalização de bens e serviços se as diferenças forem aceitas e compreendidas.
  2. Para tanto, será necessário inserir as diferenças de percepções e de pensamentos no reino uniformizador da semelhança massificadora, explodindo poderes, olhares, crenças e palavras fossilizadas, ainda mais se foram construídas no vetor do espírito da exclusão e da efetividade técnico-produtiva sem afeto.

O que significa atender bem o cliente, por mais diferente e exigente que ele seja, com espírito relacional que compartilhe vida, afeto, sentimento, carinho e histórias verdadeiras. As pessoas não querem relações mortas e, sim, juntas com o outro, sentir-se vivas.


  • Quais as competências necessárias que um líder precisa desenvolver para implantar a Gestão Espiritual?

Primeira Competência: O afeto e o olhar que se abrem para a diferenciação e  o novo, como sinais de liberdade e inclusão dos diferentes.

Segunda Competência: A tolerância, que aproxima os diferentes, relativizando dogmas e certezas.

Terceira Competência:
A paixão pelo outro, como expressão da paixão pela vida, que nada mais é do que paixão pelas diferenças.

Quarta Competência: A democratização do que as pessoas são e podem ser e, portanto, a democratização dos poderes, difundindo-os nos vários níveis da organização. Esta atitude torna todos virtualmente capazes, potencialmente ricos em beleza, sanidade, rebeldia, loucura, sucesso e fracasso. Ao coletivizar-se as oportunidades, as individualidades fortalecem-se, não egoisticamente, parindo a liberdade e a criatividade para, coletivamente,  encontrar-se soluções estratégicas para os desafios da competitividade.

Quinta Competência:
A importância do diálogo e, conseqüentemente, da palavra racional, que cria uma rede comunicativa plena entre iguais, embora diferentes, na busca do consenso, por meio do gerenciamento do choque causado pelas diferenças.

Sexta Competência: A crença radical e absoluta de que todo ser humano tem potencial para construir, criativamente, novas ramificações evolutivas para a espécie humana e o todo organizacional, otimizando a identificação e solução estratégica de problemas no processo produtivo e prestação de serviços.

Sétima Competência: A liberdade como paradigma maior e a tirania como inimigo maior. O exercício tirânico do poder faz do líder uma metástase homicida e suicida que se pretende clonar na organização, destruindo-a e destruindo-se ao final.

 
  • Como a Gestão Espiritual contribuirá no atendimento ao cliente?

A espiritualidade positiva é o vôo afetuoso de inclusão do Eu para o Outro, quer seja semelhante, quer seja diferente, a não ser que o Outro exclua a si mesmo do afeto que pretende incluí-lo.
 
Ou seja, a espiritualidade positiva, forçosamente, arranca-nos de nós mesmos e do isolamento das nossas percepções do mundo e translada-nos para o outro e suas percepções da realidade.
Dessa forma, todas as percepções ampliam-se pela soma algorítima das percepções individuais captadas e otimizadas. Crescemos e amadurecemos como ser humano e nosso relacionamento pode ser melhor com o outro se aprendermos a incluir o que for diferente, suportando os choques e conflitos que isto gera.
Incluir com afeto significa, portanto, abrir-se para as diferenças e apaixonar-se pelos conflitos por causa da fertilidade que eles produzem.
Bem, o que isto tem haver com o atendimento ao cliente?
Clientes rotulados como difíceis ou diferentes e que geram dificuldades na relação e no atendimento enriquecem a empresa, pois são um telescópio que nos fazem enxergar melhor os outros e, sobretudo, a própria organização, arrancando-a da improdutiva inércia de pensar e fazer sempre as coisas do mesmo jeito.
Construir unanimidade ou consenso com os iguais ou apenas com aqueles clientes que rotulamos de “legais” é uma glória somente para os medíocres.
A Gestão Espiritual abrirá o campo perceptivo das pessoas para terem as seguintes atitudes no atendimento ao cliente:

    • Respeito. Significa aceitar as diferenças, ser tolerante.
    • Enaltecer a virtudes. As suas e as do cliente.
    • Compreender os defeitos. Os seus e os dele. Avançar na rápida solução dos problemas. Lembremo-nos: O homem é um ser ambíguo e livre. Se não fosse assim, seria igual aos animais,  que seguem uma programação pré-dada, sem conseguir livrar-se dela. Por isto, o ser humano é permeado por contradições, efeitos colaterais da liberdade de poder ser diferente do que é. Não se esqueça de que seu cliente é e deve ser mesmo contraditório, caso contrário não seria um “humano”. Você também é assim. Olhe-se no espelho e não se esqueça disto: a imagem que você vê hoje já é diferente da de ontem. Basta “esticar” o tempo para que percebamos o quanto isto é real.
    • Desejo de conhecer como o cliente vê o mundo e quais as forças que influenciam a sua visão da vida.
      Isto é, conhecer a história de vida do seu cliente e  a maneira como ele a processou. Certamente, sua história tem uma riqueza única, por mais difícil que possa ser com ele conviver. Entendê-la traria melhor  compreensão do seu modo de “ser”. Responda para você mesmo: Qual a história de vida do seu cliente? Se você não a conhece, jamais o entenderá e atenderá.
    • Usufruir o prazer de estarem juntos e com afeto.
      Gente deveria gostar de estar afetuosamente com gente. O ser humano é um ser gregário e relacional. Precisamos do outro. Portanto, tenha prazer de estar com o outro, sobretudo, com o seu cliente, mesmo que ele seja diferente de você. Com afeto, aprenderão muito juntos.

  • Como realizar um balanço do estágio espiritual dos líderes de uma organização?

Não é fácil ser um líder. É muito mais fácil obedecer do que mandar. A tentação em desviar-se do caminho no exercício do mando é enorme.
 
O desenvolvimento das competências para produzir os bens espirituais é um excelente antídoto para que desvios não aconteçam.
 
Veja algumas das tentações que fazem um líder errar, inviabilizando a Gestão Espiritual:

  1. Desenvolver a crença de que é especial e superior e, por isto, com o direito ao poder baseado na exclusão e força constrangedora.
  2. Ver a si mesmo com um olhar de rigorosa superioridade, arrogância, orgulho, independência e distanciamento do outro.
  3. Emitir palavras e opiniões como se fossem a verdade absoluta, a partir das quais a empresa se organiza sob pena de cair no caos. Síndrome do encanto do poder que pretende paralisar o mundo em torno daquele que por ele se enfeitiça.
  4. Considerar que a sua forma de perceber o mundo é a mais apurada dentre todas. Afinal, possui “características” especiais que os outros não têm, então, vê e percebe o que ninguém vê e percebe.
  5. Ouvir apenas a si mesmo. Quem apenas se ouve, não ouve ninguém  nem o cliente.

 O líder que se emaranha ao poder dessa forma sabotará a própria empresa para manter-se nele. O foco é o poder e não os fins da empresa e as necessidades do cliente.
Esse líder perderá o compromisso com a empresa e o negócio, porque firmou um compromisso apenas consigo mesmo. Está aberta a porta para sérios problemas éticos.